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Marcos Portugal (1762-1830)
Matinas do Natal (Rio de Janeiro 1811)

”Mattinas do Santissimo Natal de Nosso Senhor Jesus Christo. A 4 e mais vozes. Com obrigação de Clarinettes, Trompas, Violettas, Fagottes, Violoncellos, Contrabachos e Orgão. Composto para a Capella Real do Rio de Janeiro, por ordem de S.A.R. o Príncipe Regente nosso Senhor. Por Marcos Portugal.”

Responsório 1 Hodie nobis caelorum Rex
Responsório 2 Hodie nobis de caelo
Responsório 3 Quem vidistis pastores?
Responsório 4 O magnum mysterium
Responsório 5 Beata Dei Genitrix
Responsório 6 Sancta et immaculata
Responsório 7 Beata viscera Mariae virginis
Responsório 8
Verbum caro factum est

Ensemble TURICUM com instrumentos históricos
Diretores: Luiz Alves da Silva e Mathias Weibel

Sopranos:
Martina Fausch Vera Ehrensperger Susana Gaspar Rebecca Ockenden
Contralto: Elizabeth McQueen
Contratenores: Javier Robledano Jan Thomer
Tenores: Reto HofstetterFrédéric Gindraux Luiz Alves da Silva
Barítono: Marcus Nierdermayr
Baixos: Grzegorz Rozycki Denis Kovalenko
Clarinetes: Pierre-André Taillard Tomoko Ferraino
Fagotes:Rogério Gonçalves Miho Fukui
Trompas: Patrik Gasser Mark Gebhard
Trombone:Ulrich Eichenberger
Violetas:Mathias Weibel Mario HuterLaura Chmelevsky Salome Janner
Violoncelos: Anderson Fiorelli Marlise Goidanich
Violone: Matthias B. Frey
Órgão: Bruno Procópio
Tímpanos: Mario Marchisella



O percurso profissional do compositor e organista Marcos António da Fonseca Portugal [Marco Portogallo] (Lisboa, 24 de Março de 1762 – Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de 1830) constitui caso único na história de Portugal e do Brasil pela projecção e disseminação sem paralelo da sua música dramática e religiosa. Esta notoriedade contrasta com as raras gravações e o ínfimo número de edições musicais disponíveis, consequência da escassez de estudos musicológicos e da prolificidade do autor.
Após estudar no Seminário da Patriarcal com dois dos mais destacados compositores portugueses da segunda metade do século XVIII, João de Sousa Carvalho (1745–1798) e José Joaquim dos Santos (1747–1801), Marcos António encetou a sua carreira profissional na Santa Igreja Patriarcal de Lisboa, onde foi nomeado organista em Julho de 1782 com o salário de 12$500 reis mensais. Desde logo aliou ao exercício de organista o de compositor para as funções da Patriarcal, sendo esta actividade reconhecida formalmente – e recompensada com um aumento de estipêndio de 50$000 reis anuais, a partir de 1 de Setembro de 1787. Depois de uma carreira de 10 anos como compositor de música religiosa e de música dramática em português, parte para Itália onde, em apenas de seis anos e meio, estreia 22 óperas com um sucesso sem precedentes, contando-se as réplicas pelas centenas e as récitas pelos milhares. O seu sucesso cedo extravasa as fronteiras desse país e, a partir de 1793, a sua obra dramática, em especial as suas opere buffe e farsas, são cantadas em praticamente todos os países europeus e no Brasil, e em várias línguas, incluindo o italiano, o português, o alemão e o russo.
De volta a Portugal em 1800, Marco Portogallo, nome por que ficou conhecido internacionalmente, é nomeado Mestre de Música no Seminário da Patriarcal e Maestro de opera seria no Real Teatro de S. Carlos, onde estreia 13 óperas em 6 anos, 10 delas com papeis criados para a prima donna Angelica Catalani, ainda em início de carreira. Depois de deixar Lisboa, Catalani tornou-se uma cantora lendária contribuindo para a difusão do nome de Portogallo, visto que continuou a cantar as suas óperas e a incluir árias de sua autoria nos recitais, em particular as célebres Son Regina e Frenar vorrei le lagrime, editadas em Inglaterra e na Alemanha.
No advento das invasões francesas, a Corte portuguesa muda-se para o Rio de Janeiro onde chega em Março de 1808. Cerca de dois anos e meio mais tarde o Monarca ordena a Marcos que atravesse o Atlântico para o “ir servir” no Brasil. Os objectivos do Príncipe Regente eram dúplices: Marcos Portugal seria o mestre de música de Suas Altezas Reais, os seus filhos e, mais importante ainda, proveria a música adequada para os festejos de maior significado sociopolítico, sempre cuidadosamente preparados e rodeados de uma encenação com vista a potenciar o aparato e a grandiloquência das aparições públicas de D. João. Essa encenação tinha fundamentalmente lugar na Capela Real e a música, que obrigatoriamente contava com a colaboração da formidável técnica e inefável voz dos castrati, era um dos seus ingredientes essenciais. Nessas ocasiões, e em algumas das mais importantes festas de primeira ordem inscritas no calendário litúrgico, a música era normalmente da autoria de Marcos Portugal que, ao longo da sua carreira e indo certamente ao encontro dos desejos e gosto do Príncipe Regente, foi modificando o seu estilo para o tornar cada vez mais adequado à função da representação simbólica do Poder Real.
Com o regresso da Corte portuguesa a Lisboa, ocorrido em Abril de 1821, Marcos Portugal e os castrati optaram por permanecer no Rio de Janeiro ao serviço do futuro Imperador do Brasil, D. Pedro I, filho de D. João VI. Apesar da gravosa situação económica no jovem país, a partir de 1 de Janeiro de 1825 o compositor foi confirmado como Mestre de Música da Imperial Família com o salário de 480$000 reis. Foi também o autor do primeiro Hino da Independência do Brasil, cantado durante dezenas de anos nas comemorações do 7 de Setembro e, de acordo com a Constituição do Brasil (1824), morreu brasileiro.
Ao contrário do que aconteceu com a obra dramática, concentrada no período 1784–1806, Marcos Portugal dedicou-se regular e consistentemente à música religiosa, desde os tempos de jovem estudante no Seminário da Patriarcal em Lisboa (a obra mais antiga de que há notícia é um Miserere composto aos 14 anos), até ao fim da sua carreira de compositor (a última obra que se conhece é uma Missa Breve encomendada em 1824 por D. Pedro I). A excepção ocorreu durante os seis anos e meio da estada italiana, dedicados quase exclusivamente à produção operática. Este facto não é reflectido nas biografias, onde o compositor é retratado essencialmente como compositor operático. Na realidade, estudos recentes indicam que a obra religiosa possui uma envergadura inusitada no contexto da música portuguesa e brasileira contemporânea. Nestes dois países, a produção religiosa de Marcos, da qual sobreviveram mais de 130 obras completas, foi de uma influência que ainda está por avaliar cabalmente, mas as mais de 700 cópias manuscritas existentes em arquivos e bibliotecas dos dois países, assim como o elevado número de compositores que a adaptaram, recriando-a para novas funções e meios instrumentais/vocais, indicam que, durante um século, marcou significativamente os paradigmas composicionais vigentes. Três obras foram especialmente determinantes para essa enorme influência e disseminação: a Missa Grande (c.1782–90), as Matinas da Conceição (1802), e o Grande Te Deum (1802).
Os primeiros sucessos de Marcos Portugal aconteceram em contexto litúrgico na Santa Igreja Patriarcal de Lisboa, instituição patrocinada e frequentada pela Família Real. As suas composições religiosas tornaram-no notado e trouxeram-lhe as primeiras encomendas da Rainha D. Maria I. No entanto, seria com o seu filho, o Príncipe Regente e mais tarde Rei D. João VI, que estabeleceria uma relação privilegiada: D. João tornou-se seu empregador, mas também seu mentor e admirador, elevando-o à categoria de Compositor da Real Câmara, e não mais cessando de lhe encomendar obras religiosas, o seu género preferido.
As Matinas do Natal terá sido a segunda obra que Marcos Portugal compôs de raiz no Rio de Janeiro. Na realidade, muitas obras deste período foram adaptações de obras anteriores, em particular daquelas dedicadas aos 6 órgãos da Real Basílica de Mafra e às vozes masculinas dos monges arrábidos, e compostas no período 1806–1807, altura em que D. João aí residia. Composta para o Natal de 1811, está inextricavelmente ligada à Missa Pastoril de José Maurício Nunes Garcia (já gravada pelo Ensemble Turicum em 1999), e testemunha uma estreita colaboração entre os dois compositores, desconhecida de todos os biógrafos. O Padre José Maurício foi nomeado Mestre da Capela Real do Rio de Janeiro por D. João em 1808, sendo responsável pela organização e preparação da música em mais de 200 cerimónias ao longo do sobrecarregado calendário litúrgico. As ligações entre as duas obras são inequívocas: 1. destinaram-se à mesma festividade, o Natal de 1811; 2. a instrumentação é idêntica e peculiar devido à ausência de violinos; 3. ambas têm um carácter “pastoril”, expresso nos solos de clarinete recorrentes e nas referências explícitas – Missa Pastoril, na missa de José Maurício, e Introduzione Pastorale, nas matinas de Marcos Portugal; 4. são escritas em stile concertato, caracterizado pela alternância ou interacção entre as vozes solistas e o coro; 5. significativamente utilizam um motivo muito semelhante: enquanto que na Missa Pastoril, esse motivo assume as características de leitmotif – nas palavras de Cleofe Person de Mattos (biógrafa e estudiosa da obra de José Maurício), nas Matinas a sua presença é menos avassaladora, sendo brevemente enunciado pelo órgão nos 3º, 4º e 7º responsórios.
As matinas, cantadas na noite anterior ao dia da festividade, são compostas por 3 nocturnos, e cada nocturno inclui 3 responsórios, sendo o nono e último responsório, num contexto litúrgico, normalmente substituído pelo hino Te Deum laudamus. O presente CD inclui o conteúdo integral do autógrafo musical: os 8 responsórios iniciais.
O extenso texto das matinas e a sua estrutura, que implica constantes repetições, colocam ao compositor o tremendo desafio de manter o interesse musical, durante cerimónias que chegavam a durar mais de quatro horas, além de obter uma coerência e lógica internas. Na longa obra em apreço Marcos Portugal fá-lo admiravelmente, revelando uma invenção e recursos técnicos fora do vulgar. Para atingir a almejada diversificação, Marcos Portugal, não só alterna as frases destinadas aos solistas e ao coro – em diálogo permanente típico do
stile concertato, como utiliza uma textura semelhante na orquestra, com intervenções solísticas dos violoncelos, fagotes e órgão, mas com clara predominância para as intervenções por vezes virtuosísticas dos clarinetes.
As Matinas do Natal são desprovidas de austeridade, que aliás não era do gosto de D. João, com inclinações para música mais alegre. De facto, a emocionada festa e o extrovertido júbilo de indisfarçáveis influências profanas, tipificando a prática de muitas igrejas em Portugal e no Brasil, são enquadrados pela celebração do nascimento do Rei dos Céus (Hodie nobis cælorum Rex de Virgine nasci dignatus est). Marcos Portugal cria uma obra de carácter festivo que, apesar de incluir uma gama de ambientes surpreendentemente diversificados, mantém a sua coerência interna: música que apela à contemplação ou à piedade, alterna com ritmos de dança e passagens não isentas de humor, música grandiloquente e pomposa convive naturalmente com melodias singelas e de rarefeito acompanhamento.

Ensemble Turicum:
PC 80-43102-3
IBAN CH77 0900 0000 8004 3102 3
BIC: POFICHBEXXX
USA - Fanfarre In its first world recording, the stunning Matinas do Natal, written in 1811 by Marcos Portugal, is a luscious dish for any musical gourmet: the CD, which received the co-funding from the Calouste Gulbenkian Foundation and the Radio DRS, manages to unite great music, dormant for centuries, with fabulous soloists, choir and orchestra. Gracing the cover, the detail of a painting by Jean-Baptiste Debret represents the coronation mass of Dom Pedro I, with the musicians standing in attention, Marcos Portugal in the forefront, au grand complet. The kind of dedication that was needed to find the exact representation of this setting is the same that went into securing the ideal recording conditions, the best voices, the correct instruments, a text that actually informs, respect for the score and passion for the music. This is the perfect gift for all kinds of music lovers: the historicist, the one who seeks wonderful forgotten masters, the period-instrument fanatic, the one who prizes sound over music, the one who seeks good interpretation and couldn’t care less about which mikes were used, the one who thinks of the CD as a total object, and wants it all. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. France – CLASSICNEWS.COM Benjamin Ballifh - vendredi 6 novembre 2009 Portugal révélé! Célébration d'une constante inventivité voire facétie, la partition éblouit par son intelligence. C'est un tableau d'une naïveté désarmante, à la saveur populaire irrésistible, fruit des métissages les plus improbables. C'est une crèche recomposée, qui vit avec intensité l'effusion tendre qui vénère l'Enfant et le Sauveur du monde Noël à Rio Clarinette enjouée, choeurs pompeux sans épaisseur, un rien encanaillés, orchestre remonté et électrique, de surcroît dans une prise de son remarquablement bien définie, chanteurs à la verve facétieuse et fervente, font les délices de ce programme enregistré en "première mondiale", idéal pour les fêtes de Noël. Outre la valeur de l'oeuvre très accessible bien que pour un effectif impressionnant, le double cd souligne non sans raison l'écriture du compositeur Marcos Portugal (1762-1830) que la chronologie place d'emblée à la charnière de deux siècles, c'est à dire en pleine période transitoire, entre le 18è et le 19è, soit au coeur des années qui ont vu l'essor du classicisme sur les oripeaux baroques puis l'éclosion de l'esthétique romantique. Cette célébration fervente (Matines de Noël à Rio de Janeiro), en un cycle de 8 Responsorios, subtilement caractérisés (chacun distribué par une voix propre et un effectif particularisé) révèle le génie astucieux d'un compositeur dont la renommée dépasse le Portugal, jusqu'à l'Italie (comme compositeur d'opéras), et jusqu'au Nouveau Monde, au Brésil où il a diffusé le modèle européen avec une grâce peu commune. Il n'est que d'entendre la délicatesse de l'instrumentarium requis et le choix des tessitures vocales, qui ténor (superbe et lumineux Frédéric Gindraux) ou baryton (bel abattage musical de Marcus Nierdermeyer, le bien nommé) et même duo de contre-ténors (plage 4, Responsorio 2): l'euphorie des effectifs, capable aussi d'une profonde ferveur, chante dans l'allégresse collective la joie de la Nativité, avec un aplomb souvent proche de la verve lyrique: chanteurs et instrumentistes s'en donnent à coeur joie dans une série d'évocations en stile concertato (alternance des interventions pour chanteurs et choeurs), proches du Haydn admiratif et émerveillé (de La Création), et tout autant du jeune Rossini, génie des astuces et de la légèreté. On pense continûment au voyage de cette joyeuse équipée, de sa marche allègre et fervente... déjà ivre et curieuse de l'Enfant à naître. C'est une galerie d'individualités et de choeurs savoureux, saisis durant leur épopée jusqu'à l'étable de Beethléem... Crèche palpitante brésilienne Dénué de violons et d'altos, l'orchestre sur instruments d'époque accuse une couleur résolument pastorale (solos de clarinette), naïve et même innocente (accompagnement sautillant de l'orgue); relevant le défi d'une partition liturgique qui se déroule sur une durée étendue (jusqu'à 4 heures), qui fonctionne la veille de Noël, Portugal s'ingénie à varier, osant des mélodies virtuoses (aux voix comme pour les clarinettes)... Aucun ennui ni relâchement dans cette lecture captivante de bout en bout: chaque protagoniste occupe et défend sa partie avec un panache malicieux, un sens du texte non dénué d'un vrai bonheur de jouer. Célébration d'une constante inventivité voire facétie, la partition éblouit par son intelligence. C'est un tableau d'une naïveté désarmante, à la saveur populaire irrésistible, fruit des métissages les plus improbables. C'est une crèche recomposée, qui vit avec intensité l'effusion tendre qui vénère l'Enfant et le Sauveur du monde, dans un mouvement collectif nourri d'impatience, de jubilation et d'espérance, mais ici "brésilienne" et tout autant, qui se souvient des foisonnantes figurines peintes de Naples ou de Lecce, (Puglia, Italie) pimentées de saveurs tropicales, acclimatées aux températures plus ardentes extra européennes : elle révèle l'immense talent d'un compositeur encore méconnu qui proche de la cinquantaine nous livre ici une oeuvre totalement atypique. Saluons le label Paraty de nous le révéler en pleine lumière, sous le feu pétillant de cette version habitée, fine, active, avec ses petites limites parfois (voix des sopranos incertaines et vibrées, contre ténors aigres...) et ses audaces palpitantes qui expriment la sincérité du geste, autant individuelle que collective. Révélation et découverte garanties ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. LEXNEWS Revue culturelle - Édition Semaine n° 45 - Novembre 2009 Il s’agit du premier enregistrement mondial sur instruments d’époque d’une œuvre méconnue du compositeur Marcos Portugal (1762-1830), un compositeur portugais plutôt prolixe qui suivra la cour portugaise à Rio de Janeiro lors des invasions françaises napoléoniennes. Il s’agissait alors de maintenir le faste des cérémonies d’une cour marquée par l’exil et Marcos Portugal aura cette responsabilité de magnifier par son art l’image ternie d’un monarque loin de son royaume… Ces Matines de Noël sont probablement la deuxième œuvre de Portugal composée à Rio de Janeiro. Comme le relève Antonio Jorge Marques, une collaboration lie Marcos Portugal à José Mauricio Nunes Garcia, lui-même Maître de Chapelle. La Messe Pastorale de Jose Mauricio (enregistrée par l’Ensemble Turicum en 1999) a été composée pour cette même cérémonie de Noël 1811 : même instrumentation (toutes deux sans violons), de nombreux solos de clarinette… et il semble surprenant qu’aucun des biographes de ces compositeurs n’aient jusqu’alors relevé ce rapprochement. Cet enregistrement permet d’entendre pour la première fois une œuvre qui s’était tue depuis longtemps, trop longtemps... On y découvre une joie festive qui souligne à la fois la sacralité de l’évènement de la nativité sans lui enlever une certaine fraîcheur pastorale. Nous avons là un témoignage imagé de ce que pouvait être une musique sacrée dans les terres lointaines du Brésil au début du XIX° siècle : une certaine emphase se fait l’écho d’une nature luxuriante, le détail des ornementations souligne le souci de grandeur d’un monarque éprouvé par l’exil et de nombreuses scènes plus naïves permettent d’associer le plus grand nombre à cet évènement majeur du calendrier liturgique. Un très bel enregistrement de l’Ensemble Turicum fondé en 1992 par le chanteur brésilien Luiz Alves da Silva et qui explore depuis de nombreuses années le répertoire souvent méconnu de la péninsule ibérique et de l’Amérique du Sud. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. France - ON-TopAudio.fr musique et cinéma texte d'Yvette Canal 08/09/2009 Cet enregistrement est une première mondiale. Il était temps. Nos chers musicologues européens ignorent trop souvent avec un beau mépris tout ce qui n’est pas européonombriliste. Or, c’est évident, des pays comme le Brésil ont leurs glorieux ancêtres, eux aussi. Ainsi ce Marcos Portugal qui écrivit nombre d’opéras joués dans toute l’Europe de l’époque, méritait mieux qu’un oubli quasiment complet. Ce double CD comblera d’aise les amateurs de musique religieuse. Les Matines de Noël 1811 offrent un bel exemple des cérémonies de l’époque, ici joyeuses, qui constituaient, avec les bals, l’essentiel des distractions des grands. Absence de violons, alternance très habile des solistes et du choeur, accompagnement par deux clarinettes, deux bassons, deux cors, un trombone, quatre altos, deux violoncelles, une timbale et un orgue (Bruno Procopio), ces matines donnent aux chanteurs l’occasion de se surpasser. Quatre sopranos, une alto, deux contreténors, trois ténors, un baryton et deux basses répondent aux instruments d’époque dans une très belle reconstitution. Ce genre d’enregistrement, insolite, savant, d’une intelligence et d’une sensibilité peu ordinaires, change beaucoup et rénove notre vision d’une musique classique réservée aux seuls génies. Elle les en grandit, d’ailleurs, et nous montre un monde foisonnant de grands musiciens autres que ceux qu’on entend d’habitude. C’est très bien.